sábado, 31 de janeiro de 2009

QUANDO VOCÊ PENSA QUE JÁ SABE TUDO

Neste ponto, caro amigo, é quando você se torna extremamente vulnerável à S.P.A.. Não importa quando, onde, ou quem você é. No INSTANTE em que você considerar que "já sabe tudo" ou que "tem tudo sob controle" é o instante em que você se torna descuidado na observância dos procedimentos básicos de segurança como a verificação pré-voo da asa, inspeções regulares no equipamento. Aqui está como eu, um piloto nível IV. Nos últimos seis meses eu (sim, esta é a parte das "confissões sentimentais"): 1. Deixei de fazer a verificação pré-voo da minha asa (um aluno meu estava lá, para me lembrar do assunto). 2. Tive que ser lembrado da necessidade de me engatar na asa, pouco antes do meu voo. 3. Deixei de inspeccionar uma cadeira nova que encomendei, descobrindo depois (subsequente ao meu "acidente") que uma das correias PRINCIPAIS de suporte não estava devidamente costurada. (a ligação "costurada" soltou-se no impacto. Eu já tinha voado 10 horas com esta cadeira). Vocês querem falar sobre descuidos e complacência no departamento de julgamentos? Vejam quantas evidências eu ignorei no meu "acidente". Não só isto, como também conheço outros pilotos avançados, em todo o país, que no ano passado tomaram as seguintes brilhantes decisões: 1. Conscientemente decidiu não se preocupar com a verificação de engate para o passageiro de um voo duplo, porque "estava tudo bem no voo anterior". (o passageiro ficou baixo o suficiente para interferir no controle do piloto). 2. Iniciou a corrida de descolagem durante uma "zerada" do vento num dia com vento de costas, sem sentir a asa nivelada e equilibrada, porque "Eu estava com problemas para nivelar e senti que estaria mais seguro no ar". (Full Stoll e bateu com a ponta da asa, "acidente"!). 3. Iniciou um 360 muito baixo e justificou a atitude: "Achei que haveria ascendentes (não descendentes) perto do chão, como NORMALMENTE acontece." (Bateu no chão, múltiplos arranhões no rosto, asa seriamente danificada). 4. Fechamento assimétrico num wingover em condições turbulentas, como maneira de celebrar uma aparente vitória num campeonato. (Caiu em cima da asa, abriu o paraquedas, aterrou em segurança, foi desqualificado do campeonato). 5. Fez um voo nostálgico numa asa antiga, e falhou em reconhecer a necessidade de concentração para manter o ângulo de ataque apropriado nos passos iniciais da descolagem. (Fechamento assimétrico na decolagem, bateu com a ponta da asa, voltou para a descolagem). 6. Foi "brincar na base das nuvens". (Entubou por 25 minutos, miraculosamente aterrou em segurança). 7. Etc., etc., e mais e mais absurdos. Todos perfeitos exemplos da Síndrome de Piloto Avançado. Todos resultado de descuido e/ou complacência. Todos executados por pilotos que pelos melhores padrões imagináveis são pilotos Avançados (Nível IV e V), com reputação de serem conscientes, conservadores e responsáveis. NÃO; NÃO VOU CONTAR OS NOMES DELES. Eles são maiores do que eu e possuem o ego frágil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário